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Revista Metropole
O diploma vale, mas a atualização decide
Estudos: mestrados profissionais formam pesquisadores qualificados para atender demandas ligadas diretamente ao mundo do trabalho e ao sistema produtivo
“Antes, o diploma era garantia de futuro profissional. Hoje, é apenas a porta de entrada para o processo seletivo. Sem ele, o profissional é eliminado antes da seleção”. A afirmação do professor Fabiano Caxito retrata a realidade enfrentada pelos trabalhadores e é válida tanto para tecnólogos quanto para os que optaram por bacharelados e licenciaturas. “Se não houver atualização, não se consegue competir no mercado, mas isso tem que estar no profissional. Não pode ser obrigação”, ressalta.
Diretor do Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias (Ceatec) da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Orandi Nina Falsarella concorda com Caxito. “Ninguém tem que parar de se atualizar. O profissional deve continuar estudando, fazendo pós”, opina. Definido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) como graduação, o curso superior de tecnologia dá aos diplomados o direito de frequentar cursos de pós-graduação, incluindo mestrado, doutorado, cursos de especialização e aperfeiçoamento, desde que atendam às exigências das instituições e o edital de seleção.
Entre as possibilidades está o mestrado profissional. Disciplinado pela Portaria Normativa no 7, de 22 de junho de 2009, é, assim como a graduação tecnológica, mais voltado ao setor produtivo. “A legislação atual assume a tecnologia como a dimensão que integra a educação profissional e tecnológica com a educação superior de graduação e pós-graduação. É nesse sentido que os mestrados profissionais podem ser entendidos como sinônimo de mestrado tecnológico”, explica Caetana Juracy Rezende da Silva, coordenadora-geral de Políticas de Educação Profissional e Tecnológica, da Diretoria de Formulação de Políticas de Educação Profissional e Tecnológica (DPEPT), vinculada ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Mestrados profissionais buscam formar pesquisadores altamente qualificados para atender demandas diretamente vinculadas ao mundo do trabalho e ao sistema produtivo. Essa característica é que faz desse tipo de mestrado, segundo Caetana, uma opção extremamente interessante para profissionais que querem aprofundar conhecimentos e desenvolver pesquisas sobre problemas do cotidiano de trabalho.
Regulamentado, reconhecido e avaliado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), essa modalidade de mestrado não exige que o candidato se afaste de suas atividades profissionais para desenvolver a pesquisa – o que é comum nos mestrados acadêmicos. Além disso, o cotidiano pode ser objeto da investigação. “Essa modalidade de pós-graduação não pode ser confundida com especialização (pós-graduação lato sensu) que, em geral, visa a qualificação do profissional em um certo ramo de atuação. Enquanto os cursos de especialização pretendem a atualização do trabalhador, o mestrado profissional visa o desenvolvimento de um pesquisador em tecnologias pertinentes a seu campo de atuação”, diz Caetana.
O tecnólogo sanitarista Paulo Minoru Kashino, de 56 anos, entende bem a necessidade de atualização permanente. Formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 1984, não parou de estudar quando o curso chegou ao fim. Tem no currículo pós-graduação em Saúde Pública pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), Gestão Ambiental nas Faculdades Integradas Metropolitanas de Campinas (Metrocamp) e Educação Ambiental na Faculdade São Luís. “Quanto mais conhecimento, melhor”, destaca. Há 12 anos na Sanasa, trabalha atualmente no setor de uso racional de água e tem entre as funções a orientação da população e a detecção de pontos de vazamento a até 1,5 metro de profundidade.