28.1.2010
APOSTAS CERTEIRAS

Publicada em 24/1/2010

Revista Metropole
Apostas certeiras

Investimentos: oportunidades de trabalho e vocações regionais nunca devem ser descartadas pelo futuro tecnólogo

Não resta dúvida de que a vocação e as preferências individuais são importantes para decidir qual caminho profissional seguir. Mas não bastam. Os cursos superiores de tecnologia devem ser escolhidos com base nas necessidades e demandas do mercado de trabalho e na vocação da região em que o futuro tecnólogo pretende atuar. “Por atender às demandas regionais, os cursos emplacaram com velocidade, cresceram assustadoramente”, afirma Fernando Leme do Prado, presidente da Associação Nacional de Educação Tecnológica (Anet).

Mas, afinal, em que setores vale a pena investir? Segundo Prado, há boas perspectivas para daqui a três ou quatro anos, principalmente para áreas de recursos humanos, logística e produção industrial, que têm grande possibilidade de empregabilidade. “Minha aposta maior é na logística, porque não adianta fabricar um produto maravilhoso se não conseguir colocá-lo na mão do consumidor no dia seguinte. E isso requer muita tecnologia”, afirma. De que maneira um tecnólogo em logística pode ajudar no processo? “O profissional precisa entender as várias etapas. Deve saber qual o mecanismo de transporte mais adequado, mais rápido, com menor preço e menor risco.”

Orandi Nina Falsarella, diretor do Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias (Ceatec) da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), aposta no desenvolvimento de outras duas áreas: construção civil e tecnologia da informação e comunicação. A expansão da primeira, observa, está ligada ao crescimento da economia, aos programas de estímulo do governo federal e à consequente quantidade de empreendimentos nas cidades. “Hoje, qualquer empresa, por menor que seja, tem que ter computador, sistema, estrutura. Às vezes, tem mais de um computador, ligados em rede”, diz Falsarella, justificando sua aposta no crescimento do setor de TI.

O professor Fabiano Caxito acredita que haverá grande desenvolvimento nas áreas industrial química, de produção de petróleo, alimentos, industrial, cosmética, estética, informática e logística, além da ligada ao eixo de hospitalidade e lazer. Segundo o consultor de carreira Julio Pugliesi, alimentação (atividades voltadas à fabricação dos produtos), mecânica, química e eletroeletrônica são setores sempre bons para se investir. Para ele, Copa e Olimpíadas movimentam a área de varejo e disparam o comércio, que puxa a indústria e os serviços. No entanto, são eventos pontuais.

Uma mãozinha para os indecisos

A oferta de cursos superiores de tecnologia não para de crescer. E foi para disciplinar essas opções e servir de referência para futuros alunos que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) lançou o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, inspirado nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Tecnológico. A última edição, de maio de 2009, relaciona 102 cursos, divididos em dez eixos tecnológicos. Disponível no endereço http://catalogo.mec.gov.br, reúne informações sobre cada área e cursos correspondentes. Basta clicar sobre o nome do curso para obter dados sobre competência dos tecnólogos, carga horária mínima e infraestrutura recomendada. O catálogo passará por revisão anual.

Outro instrumento desenvolvido para esclarecer dúvidas e levar aos interessados informações relevantes sobre a graduação tecnológica é a cartilha Evolução Histórica da Educação Tecnológica no Brasil. O material, coordenado pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), MEC e Associação Nacional dos Tecnólogos (ANT), tem informações sobre fatos que marcaram os cursos superiores de tecnologia, perfil e caráter da profissão, atribuições e responsabilidades dos profissionais do Sistema Confea/Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). A cartilha deve ser distribuída este ano.

Se o curso já foi escolhido, mas a instituição ainda é uma incógnita, a solução para o dilema pode estar a alguns cliques. No site do SiedSup (http://emec.mec.gov.br), há uma relação dos locais que oferecem a modalidade de graduação.

Escolha o seu curso

Produção Alimentícia

Agroindústria
Alimentos
Laticínios
Processamento de Carnes
Produção de Cachaça
Viticultura e Enologia

Recursos Naturais

Agroecologia
Agronegócio
Aquicultura
Cafeicultura
Horticultura
Irrigação e Drenagem
Produção de Grãos
Produção Pesqueira
Rochas Ornamentais
Silvicultura

Produção Cultural e Design

Comunicação Assistiva
Comunicação Institucional
Conservação e Restauro
Design de Interiores
Design de Moda
Design de Produto
Design Gráfico
Fotografia
Produção Audiovisual
Produção Cultural
Produção Cênica
Produção Fonográfica
Produção Multimídia
Produção Publicitária

Produção Industrial

Biocombustíveis
Construção Naval
Fabricação Mecânica
Papel e Celulose
Petróleo e Gás
Polímeros
Produção de Vestuário
Produção Gráfica
Produção Joalheira
Produção Moveleira
Produção Sucroalcooleira
Produção Têxtil

Hospitalidade e Lazer

Eventos
Gastronomia
Gestão de Turismo
Gestão Desportiva e de Lazer
Hotelaria
Informação e Comunicação
Análise e Desenvolvimento de Sistemas
Banco de Dados
Geoprocessamento
Gestão da Tecnologia da
Informação
Gestão de Telecomunicações
Jogos Digitais
Redes de Computadores
Redes de Telecomunicações
Segurança da Informação
Sistemas de
Telecomunicações
Sistemas para Internet
Telemática

Ambiente, Saúde e Segurança

Gestão Ambiental
Gestão de Segurança
Privada
Gestão Hospitalar
Oftálmica
Radiologia
Saneamento Ambiental
Segurança no Trabalho
Sistemas Biomédicos

Fonte: Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia – MEC

Gestão e Negócios

Comércio Exterior
Gestão Comercial
Gestão da Qualidade
Gestão de Cooperativas
Gestão de Recursos Humanos
Gestão Financeira
Gestão Pública
Logística
Marketing
Negócios Imobiliários
Processos Gerenciais
Secretariado

Infraestrutura

Agrimensura
Construção de Edifícios
Controle de Obras
Estradas
Gestão Portuária
Material de Construção
Obras Hidráulicas
Pilotagem Profissional de Aeronaves
Sistemas de Navegação Fluvial
Transporte Aéreo
Transporte Terrestre

Controle e Processos Industriais

Automação Industrial
Eletrotécnica Industrial
Eletrônica Industrial
Gestão da Produção Industrial
Manutenção de Aeronaves
Manutenção Industrial
Mecatrônica Industrial
Mecânica de Precisão
Processos Ambientais
Processos Metalúrgicos
Processos Químicos
Sistemas Elétricos

Censo da Educação Superior 2008

Número de instituições (federais, estaduais, municipais e privadas)

2002 – 1.637
2003 – 1.859
2004 – 2.013
2005 – 2.165
2006 – 2.270
2007 – 2.281
2008 – 2.252

Número de cursos em 2008

Graduação presencial – 24.719
Educação tecnológica – 4.355
Educação a distância – 647
Educação superior – 25.366

Evolução do número de cursos de educação tecnológica

2002 – 636
2003 – 1.142
2004 – 1.804
2005 – 2.525
2006 – 3.037
2007 – 3.702
2008 – 4.355

Número de matrículas em 2008

Graduação presencial – 5.080.056
Educação tecnológica – 412.027
Educação a distância – 727.961
Educação superior – 5.808.017

Evolução do número de matrículas em educação tecnológica

2002 – 81.348
2003 – 114.770
2004 – 153.307
2005 – 214.271
2006 – 278.727
2007 – 347.150
2008 – 412.027

Fonte: Censo da Educação Superior 2008